Há coisas que nos acontecem que passamos o dia todo a pensar nelas, no que poderia ter acontecido e no nosso posicionamento perante a vida. Logo pela manhã, sigo perto do aeroporto numa faixa de rodagem que vai passar para bus. Olho para o retrovisor, vejo um carro mais atrás na outra faixa, assinalo com o pisca a mudança de faixa e início a manobra. O carro que vinha lá atrás, acelera e bloqueia-me a passagem para a outra faixa. Pensando eu que iria seguir a sua vida, o carro mantém-se ao meu lado e eu na faixa de bus. Dou novamente o pisca, acelero novamente, e o tipo acelera e bloqueia-me novamente. Volto para a faixa de bus. Pela 3 vez faço a mesma coisa, desta vez acelerando a fundo para efectivamente mudar de faixa. O fulano acelera o carro, ultrapassa-me pela direita e atravessa-se a minha frente para me bloquear a passagem. Quase lhe bato, e paro o carro. Outros carros vão-nos contornando pela direita e pela esquerda e eu ali parada a tentar perceber o que se estava a passar, mas sem reagir a provocações. Quando não tinha carros atrás faço marcha atrás para contornar o carro. Ele mete marcha atrás a prego fundo e fica colado a mim. tento duas vezes sem sucesso. Eu tento fazer inversão, ele contorna-me e encurrala-me. Ele inclina-se e quando se levanta mostra-me uma arma. De imediato ligo para o 112. Após alguns minutos a explicar o que estava a acontecer, o tipo deve ter percebido que eu estava a falar com alguém e foi-se embora. Os senhores do 112 foram impecaveis, não desligaram enquanto não fiquei bem. Felizmente que em situações de perigo mantenho sangue frio que me faz raciocinar. Geralmente sou stressada e facilmente perco as estribeiras, mas não em situações graves. Depois de sair do local de perigo e de me sentir a salvo, ainda com o Sr. do 112 em linha, fui-me abaixo e tenho estado todo o dia a pensar no que poderia ter acontecido se na primeira atitude estúpida do gajo eu tivesse businado ou o tivesse mandado dar uma volta. Tenho a matrícula do skoda octavia preto, para me informar sobre o que fazer, mas infelizmente as vias legais não nos dão suporte nestas situações caso não exista violência explícita e sangue.
Surrealidades Quotidianas
Acerca das coisas estranhas que me acontecem, e das descargas de fel que há em mim
terça-feira, 18 de dezembro de 2012
domingo, 2 de dezembro de 2012
O outro lado do Natal
Não sou particularmente fã do Natal. Aliás, não sou fã de festas pré programadas, com datas especiais. As festas tradicionais obrigam a que todas as pessoas tenham que estar obrigatoriamente bem-dispostas naquele dia, àquela hora, e como vai haver uma festa, temos todos que nos divertir muito, e tem que ser "muita" giro. Pois eu gosto de me divertir quando me apetece e com quem me apetece, e não porque o menino Jesus diz que sim. Não sou hipócrita para pensar, "lá tenho que ir para a casa da tia Teresinha", mas chego lá e toda eu sou sorrisos beijos e abraços a todos. Não gosto disso. E o Natal ainda me agrava mais o sistema nervoso.
Eu sou a mais nova da família, com 32 anos. Quando era miúda, pois era muito giro, arvore de Natal e presente, os tios que vinham para o Alentejo, mas agora não me diz nada. De facto parece-me que Natal sem crianças não me faz muito sentido. Sou filha única, e a minha família resume-se a muito poucos. Que significado tem o Natal para mim? Nenhum. Nem católica sou. Ah, gosto das decorações de Natal, mas isto porque gosto de decoração, e gosto de objectos bling. Fazendo a junção dá-se o Natal.
Sempre me fez confusão um contra-senso muito grande no Natal. É a festa da família, dizem para ocultar o consumismo inerente à época. E quem não tem família? Porque não se pensa neles? Já pensaram no efeito negativo que tem nessas pessoas? Quando era miúda ia almoçar no dia de Natal fora com a mini família. E via sempre pessoas a almoçarem sozinhas, via sempre pessoas a deambular sem terem para onde ir. Sempre me causou muita tristeza ao vê-los e desde cedo isso me fez não gostar do Natal. É uma época de alegria, mas é também uma época onde a solidão toma contornos mais acentuados e a taxa de suicídio aumenta. Estas pessoas que estão sós durante todo o ano, vão suavizando o sentimento num café, numa praça, em conversas na rua, seja onde for. É no Natal que percebem que de facto não têm ninguém.
Tenho o meu marido, os meus pais, os meus tios, mas não
existe aquela emoção do Natal. Talvez porque nenhum de nós tenha aquele
sentimento. Estamos acompanhados nesse dia apenas para não ficarmos sós. É um
dia como outro qualquer.
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